A revista Forbes divulgou um artigo em 20 de janeiro de 2026, onde apresenta uma análise estruturada examinando o impacto das políticas de imigração propostas pela administração Trump, com forte influência de Stephen Miller, o chamado arquiteto do sistema imigratório atual.

O artigo projeta que a imigração legal para os Estados Unidos poderá ser reduzida entre 33% e 50% ao longo dos quatro anos de governo Trump. Em termos práticos, isso representa de 1,5 milhão a 2,4 milhões de green cards a menos concedidos em comparação com a projeção baseada nos níveis de 2023.

Em 2023, aproximadamente 1,17 milhão de pessoas obtiveram residência permanente legal (green card). Mantido esse ritmo, seriam esperados cerca de 4,7 milhões de novos residentes permanentes em quatro anos. As políticas propostas reduziriam significativamente esse número.

Cerca de 48% da imigração legal ocorre por meio de familiares imediatos de cidadãos americanos (cônjuges, filhos menores e pais). O artigo indica que essa categoria será a mais afetada.

As medidas utilizadas serão restrições administrativas ao patrocínio familiar, reinterpretação rigorosa do conceito de “public charge”, além de proibições baseadas em nacionalidade (travel bans), afetando dezenas de países, como a famigerada lista de 75 países, que inclui o Brasil.

Mas outras categorias também serão afetadas, como estudantes internacionais com a possível restrição ou eliminação do OPT e STEM OPT, reduzindo a transição de vistos F-1 para green cards. Também os status humanitários, pela revogação ou não renovação de TPS e parole humanitário, afetando centenas de milhares de pessoas já presentes legalmente no país.

A estratégia da administração Trump é utilizar artifícios que não dependem necessariamente de leis aprovadas pelo congresso, mas de regulamentos administrativos, memorandos internos e nas mudanças interpretativas na aplicação da lei de imigração existente.

Tudo isso aumenta a probabilidade de litígios judiciais questionando a legalidade dessas medidas. Mas isso leva tempo e é custos, se considerar que o imigrante pode não ter nem tempo suficiente antes de sofrer a ação de restrição imigratória, nem recursos financeiros para questioná-la.

Stephen Miller é apontado como o principal arquiteto da política migratória restritiva. Ele defende, há anos, a redução da imigração legal como objetivo explícito de política pública, alinhado a iniciativas como o Project 2025.

Na prática, se forem mesmo implementadas integralmente as políticas descritas acima, isso resultará numa maior redução da imigração legal em décadas, num impacto direto em famílias de cidadãos americanos, na redução significativa da imigração baseada em emprego e estudo, além do aumento do contencioso judicial em matéria migratória.

Uma pena.

O governo poderia aproveitar para fazer uma reforma imigratória, modernizar a legislação e estabelecer novos níveis de imigração por trabalho e família, sem causar todo este dano instantâneo.

A íntegra do artigo encontra-se neste link: https://www.forbes.com/sites/stuartanderson/2026/01/20/trump-and-miller-slashing-legal-immigration-by-33-to-50/

• A informação contida neste artigo constitui mera informação legal genérica e não deve ser entendida como aconselhamento legal para situações fáticas concretas e específicas. Se você precisa de aconselhamento legal, consulte sempre um advogado que seja licenciado e membro da organização de classe (The Bar) do Estado onde você reside.