O Departamento de Segurança Interna dos Estados Unidos (USDHS) informou que agentes do ICE, órgão responsável pela fiscalização imigratória, poderão atuar na segurança da Copa do Mundo da FIFA de 2026.
Segundo autoridades do governo, os agentes poderão ajudar na segurança ao redor dos estádios, da mesma forma que já ocorre em grandes eventos esportivos americanos (por exemplos, Super Bowl, Kentucky Derby etc.). A participação deles dependerá de pedidos feitos pelas autoridades locais e federais responsáveis pela segurança de cada cidade. Até o momento, não está claro se algum departamento ou agência aceitou a oferta do ICE.
A diferença, claro, é que eventos tradicionais que se repetem todos os anos nos EUA são predominantemente frequentados por americanos, ao passo que a Copa do Mundo é justamente o contrário, contando com a presença de mais estrangeiros do que pessoas do próprio país sede.
O governo afirmou que os agentes destacados para a segurança dos jogos não irão verificar o status imigratório dos torcedores ou funcionários presentes no evento. “Nossos agentes e oficiais fornecerão segurança quando solicitados, mas não farão triagem de pessoas para verificar o status imigratório”, disse um dos oficiais, acrescentando que o uso de uniformes pelos agentes do ICE dependerá de cada local.
Um porta-voz do Departamento de Segurança Interna (DHS) afirmou em comunicado que o departamento “trabalhará com nossos parceiros locais e federais para garantir a realização da Copa do Mundo da FIFA de 2026 — em conformidade com a lei federal e a Constituição dos EUA — como fazemos com todos os grandes eventos esportivos, ao mesmo tempo em que mostramos a grandeza americana para o mundo inteiro”. O representante acrescentou que as pessoas em situação legal no país não têm motivos para preocupação. “O que torna alguém alvo da fiscalização imigratória é estar ou não ilegalmente nos EUA — ponto final”, declarou. Ainda assim, a orientação do órgão é que os visitantes estrangeiros providenciem planos de viagem e documentos com antecedência para evitar contratempos.
Apesar das garantias de segurança e da ausência de triagem migratória rotineira, as autoridades também declararam que não existe uma proibição específica impedindo agentes do ICE de realizarem prisões durante os jogos da Copa do Mundo. Até o momento, nenhuma orientação interna foi emitida para determinar que os agentes de imigração fiquem afastados dos estádios.
A Copa do Mundo de 2026 será a maior já organizada pela FIFA, com 48 seleções e partidas em 16 cidades da América do Norte (Estados Unidos, Canadá e México). O torneio acontecerá de 11 de junho a 19 de julho; a partida de abertura será na Cidade do México e a final, em 19 de julho, no MetLife Stadium, em East Rutherford, Nova Jersey. Centenas de milhares de visitantes internacionais são esperados para assistir aos jogos. A FIFA não respondeu imediatamente ao pedido de comentário.
A possível presença do ICE nos arredores dos estádios preocupa parte da comunidade imigrante e organizações de defesa dos direitos civis. Esses grupos afirmam que a presença de agentes de imigração pode gerar medo em pessoas que tenham receio de fiscalização ou deportação, fazendo com que alguns espectadores evitem os jogos.
A situação é similar à dos agentes do ICE que estiveram presentes em aeroportos durante um período de falta de funcionários da TSA, agência responsável pela segurança aeroportuária, devido a uma paralisação do governo. Embora a atuação tivesse foco em segurança, organizações de direitos civis criticaram a medida por considerarem que ela poderia intimidar viajantes imigrantes que temiam ser alvo de prisões.
Agentes do ICE também estiveram posicionados do lado de fora das cerimônias de formatura dos novos fuzileiros navais no Centro de Recrutamento do Corpo de Fuzileiros Navais de Parris Island, no Condado de Beaufort, Carolina do Sul, neste ano. Embora os agentes não tenham efetuado prisões, alguns recrutas se formaram sem a presença dos pais por receio de problemas com a imigração.
Esses temores surgem após um ano de repressão à imigração por parte do governo Trump, para cumprir a promessa de campanha do presidente Donald Trump de deportações em massa. Pelo jeito, na Copa do Mundo a presença do ICE deve ser mais assídua, revelando-se um prato cheio para apreender e deportar ilegais, ou legais que estejam causando arruaça nas ruas e estádios dos EUA.
O recém-empossado Secretário de Segurança Interna, Markwayne Mullin, pressionou para reformular a imagem da agência, focando-se, em vez disso, nas prisões de criminosos violentos e em sua missão humanitária, chegando a se referir a ela como “NICE”.
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